Indústria presta conta da redução de imposto

Para pedir a prorroga��o da redu��o na al�quota do IPI, a ind�stria presta contas hoje ao governo federal e vai mostrar que ao menos 6.300 empregos foram criados pelas empresas que produzem fog�es, geladeiras e carros desde que o corte do imposto entrou em vigor.

Nessa conta ainda faltam as vagas dos fabricantes de m�veis que devem fechar os dados at� a reuni�o com o ministro Guido Mantega (Fazenda) marcada para hoje.

No setor da linha branca, 3.800 empregos foram abertos desde dezembro, quando o corte do IPI foi concedido para lavadoras, geladeiras e fog�es. Hoje, o setor emprega 33,7 mil, segundo a Eletros, associa��o que re�ne 14 empresas de linha branca.

"Os dados de julho mostram que as vendas aumentaram entre 15% e 20%", diz Lourival Ki�ula, presidente da Eletros.

Nos autom�veis, os fabricantes registram 2.500 empregos criados desde junho. A redu��o de IPI para o setor come�ou no final de maio.

O n�vel de emprego passou de 145 mil em maio para 147,7 mil, segundo a Anfavea, que re�ne fabricantes de ve�culos (carros, caminh�es e �nibus).

PRE�OS

Apesar da ren�ncia fiscal de R$ 2,43 bilh�es, os setores beneficiados pela redu��o de IPI n�o repassaram o corte da al�quota integralmente aos pre�os ao consumidor na maioria dos produtos. Mas viram a produ��o crescer ap�s a medida de est�mulo.

Na linha branca, o corte de dez pontos percentuais do IPI de lavadoras (a al�quota caiu em dezembro de 20% para 10%) resultou na redu��o de pre�o de 5,31% --concentrada nos primeiros meses da medida; desde abril, os pre�os sobem moderadamente; em junho, a alta foi de 0,64%.

Nas geladeiras, a queda foi de 7,63% de janeiro a julho, abaixo do corte de dez pontos --embora os pre�os tenham mantido leve queda mensal, de 0,26% em julho.

Nos fog�es, a redu��o de quatro pontos (a al�quota foi zerada) foi de 5,34%.

Fernando de Castro, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo, contesta os dados.

"Os pre�os ca�ram at� mais do que a redu��o porque a concorr�ncia estimula descontos maiores. Apesar do aumento do d�lar [e do impacto disso na importa��o de componentes], do reajuste no pre�o da resina e do aumento de sal�rios, o repasse de pre�os chegou, sim, ao consumidor."

Em ve�culos, a queda de pre�os ficou em 5,49%, mas a produ��o do setor, que acumulava altos estoques, n�o cresceu, embora tenha reduzido a queda de 18,6% no primeiro trimestre para 2,9% no segundo, segundo o IBGE.

Para Salom�o Quadros, da FGV, n�o existem press�es de custo no atacado que justifiquem o n�o repasse integral do IPI menor ao consumidor.

Segundo a Anfavea, h� 1.495 modelos de carros na lista dos beneficiados pelo corte da al�quota do imposto.

Na m�dia, a redu��o nos pre�os foi de 6,51%. Para cada ponto de corte de IPI, o pre�o final cai de 0,7% a 0,8%. Com o IPI zerado nos carros 1.0, o peso dos impostos passou de 27,1% para 22,2%.

 

Por Claudia Rolli e Pedro Soares - Folha.com